“O riso dos outros”: limite e humor

10 dez

Depois de um tempo sem postar, tanto por falta de tempo, quanto, e principalmente, por falta de inspiração, aqui estou de novo. O tema que me intrigou dessa vez já se pode dizer que está entrando para aquela lista básica de assuntos que não se discute, devido à quantidade de polêmica que tem causado: o humor, ou melhor, o limite do humor.

rafinhaRafinha Bastos, certamente, é o maior expoente dessa discussão toda em torno dos limites entre aquilo que é realmente engraçado e o que se torna uma ofensa. A (infeliz) frase que ele pronunciou durante o programa CQC sobre a cantora Wanessa Camargo e o filho, que ela até então esperava, lhe renderam um processo, a saída do programa e uma enxurrada de opiniões e polêmicas. Acho que foi daí que partiram as primeiras discussões mais acaloradas sobre o tema, principalmente pela mídia sensacionalista.

P.S: a última dele foi uma ofensa ao apresentador Luciano Huck que também pretende entrar com um processo. Mais um.

Entre críticas, processos e pedidos de retratação, há quem diga que essa, assim como qualquer outra piada de mau gosto proferida pelos humoristas, é apenas uma expressão de democracia, de liberdade de expressão, que merece ser aceita e respeitada, se não quisermos correr o risco de praticar a censura. Entre os que defendem essa bandeira, porém, imagino que haja poucos, ou quem sabe ninguém, que já tenha vivenciado, só para dar um exemplo, o drama que vive uma mulher vítima de estupro. Acho que só assim, não vendo e vivendo tal drama de perto, ou não sendo mulher, é possível concordar (e ver como piada) a frase que o Rafinha pronunciou sobre como as mulheres feias deviam ficar agradecidas por serem estupradas.

De qualquer forma, estes são meros exemplos de onde pode chegar o “senso decomedy humor” destes profissionais. Mulheres, gays, negros, deficientes e obesos são seus grandes alvos, acredito eu, em virtude da facilidade com que se podem propagar estereótipos e pré-conceitos e fazer piada disso para um público privilegiado. Privilegiado porque, a menos que eu esteja muito enganada, apenas homens que sejam brancos, héteros e sem nenhum tipo de deficiência física poderão sair de um show de Stand Up depois de ter dado muitas risadas e sem se sentirem, em nenhum momento, direta ou indiretamente, ofendidos.

Um outro argumento que eu já ouvi entre os defensores desse tipo de piada é que tudo isso é um falso moralismo ou o chato do “politicamente correto” que tá querendo calar os pobres humoristas (tadinhos deles, tão desprivilegiados). E que o fato de o Rafinha Bastos ter se ferrado é apenas porque ele “mexeu com gente grande”. Com este último eu concordo e me baseio no clichê de que no Brasil a justiça foi feita pros ricos (pensasse nisso antes, Rafinha). Quanto ao primeiro, resumo minha opinião com uma frase que achei esses dias na internet e expressa bem o que eu e milhões de “politicamente corretos” pensam desse tema: “Nada mais cínico do que vestir de piada uma ofensa” (autor desconhecido)

Abaixo, fica o documentário “O riso dos outros”. Nele, uma temática que merece atenção e espaço para o debate. Mais do que isso: espaço para a reflexão sobre o que é de fato humorístico e em qual momento o discurso preconceituoso acha refúgio nas “piadas de mau gosto”.

Recentemente exibido na TV Câmara, o doc reuniu comediantes que trabalham com stand up e, em contrapartida, cartunistas – que lidam com humor de uma outra maneira – e ativistas engajados com a luta pelo fim da discriminação.

Danilo Gentilli, Fernando Caruso, Rafinha Bastos, Nanny Peaople, Laerte Coutinho, Arnaldo Branco e Lola Aronovich são alguns dos entrevistados que abordaram diversos pontos sobre o assunto em questão. E como disse o ator Hugo Passolo: “Você precisa saber de que lado você está dessa piada”. (Fonte: Catraca Livre)

 

2 Respostas to ““O riso dos outros”: limite e humor”

  1. gayzao 123 kuga 04/11/2013 at 11:37 AM #

    vai toma no olho do seu cu

    • pinto rola geba do caraio 04/11/2013 at 11:38 AM #

      vc filho da puta

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