Arquivo | dezembro, 2011

Erin Brockovich – Uma mulher de talento

26 dez

De vez em quando, quando o sono não bate e existe uma TV à disposição, pode ser que um “corujão” qualquer seja uma boa pedida. Claro que as chances de se assistir a um bom filme são pequenas, a começar pela dublagem. A propósito, filmes dublados devem ser perfeitos mesmo só para aquelas pessoas com uma capacidade nata de ouvir e entender frases rápidas (capacidade que, por sinal, eu não tenho).

Críticas  à parte, foi num desses corujões que eu assisti a um bom filme: “Erin Brockovich – uma mulher de talento”, com a grande Julia Roberts.

Como eu não sou nenhuma crítica de cinema nem especialista em nada, não posso dizer com total propriedade que a atuação da Julia foi espetacular. Mas, como mera espectadora, eu digo que foi.

A personagem interpretada por Julia, Erin Brockovich, é a típica mãe-solteira dona-de-casa. Uma mulher aparente sem nenhum talento especial, divorciada de dois maridos, desempregada, e com três filhos pra criar.

O “azar” é tanto que ninguém espera que acontecimentos aparentemente tão ruins como um acidente de carro e uma causa perdida no tribunal fossem proporcionar à Erin a oportunidade de revelar todo o seu talento, no sentido literal da palavra. E quando digo no sentido literal é porque é raro ver nos filmes, pra começar, protagonistas mulheres, que dirá protagonistas mulheres que se revelam inteligentes e racionais, e não apenas sensuais ou movidas por emoção.

A propósito, enquanto eu assistia “Erin Brockovich – uma mulher de talento”, eu me lembrei de filmes como “Uma mente brilhante”, “O talentoso Ripley” e “Prenda-me se for capaz”, todos protagonizados por homens, claro.

Machismos à parte, esse filme revela lições estritamente ligadas à pré-conceitos, superação e como a mulher também pode exercer seu lado intelectual sem necessariamente agir como um homem e perder sua personalidade e seus outros papéis na sociedade. É o típico “act like a lady, think like a boss”.

Entre outras coisas, Erin Brockovich arranca boas risadas com seu jeitão todo grosseiro, seu estilo extravagante e suas tiradas totalmente sarcásticas e inteligentes.

E, como se não bastasse, o filme é baseado em uma história real.

Fica a dica. Para homens e mulheres.

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Ter um blog pra quê?

19 dez

Dezembro de 2011, neste mês o Palavroeiro completou seu primeiro ano de existência.
Tudo começou quando meu antigo blog, o “Cantinho da Vânia”, hospedado na plataforma Windows Live, foi repaginado para o WordPress, como todos os blogs que se hospedavam na então plataforma Live.
Nesse momento, um insight qualquer me trouxe a idéia de transformar o meu então blog totalmente pessoal e romântico, com frases, poesias e músicas, em um blog de cultura e variedades, com assuntos que também me interessassem, mas de forma um pouco menos íntima.
Aí, eu escolhi o nome, e pronto, nasceu o Palavroeiro.
Imagino que muitos devem ter começado assim também. Lá em 2006, quando eu criei meu primeiro blog, ainda eram mais freqüentes os blogs estilo “diários pessoais” mesmo. Com o passar do tempo é que o acesso à informação e à troca dela foi crescendo exponencialmente e auxiliou muita gente a criar blogs mais informativos, menos pessoais.
Enfim, foi essa trajetória que eu segui. E é isso também que a jornalista Denise Schittine explora de forma bastante sintética e bem-elaborada no seu livro “Blog: Comunicação e escrita íntima na internet”, que por sinal é o livro que eu estou lendo no momento.
Denise conta toda a trajetória desde os diários trancados à chave, escondidos nas gavetas, até a ascensão da internet, o surgimento dos blogs como diários íntimos virtuais e como relato jornalístico.
E alguns fatos sobre os blogs que a autora aborda nesse livro me levaram a escrever este post.
Por quê ter um blog?
É interessante ver que Denise aborda em seu livro toda a trajetória histórica da privacidade. Com a ascensão da burguesia, a busca por preservar a intimidade foi muito grande. Inclusive, a arquitetura representou muito bem essa condição com as casas cada vez mais divididas em cômodos, pra que todos os membros da família pudessem ter sua privacidade preservada.
Hoje, ao contrário, existe um paradoxo meio “doido”: As pessoas ainda gostam de ter sua privacidade preservada, claro, mas ao mesmo tempo têm um desejo cada vez maior de revelar sua intimidade e ser admirado, ter “fãs”. É isso que a gente vê, principalmente, nas redes sociais e, em âmbito nacional, nos famosos reality shows.
Esse, então, pode ser um dos motivos para se ter um blog: ser visto, admirado, ter pessoas que leiam, “escutem” o que você tem a dizer com a facilidade de não ser julgado “cara a cara”.
Mas, além desse motivo, baseado no livro de Schittine em torno dessa questão do “se mostrar”, eu, como blogueira, pensei em alguns outros fatores que poderiam incentivar alguém a criar um blog.
Em primeiro lugar, todo mundo tem algo a dizer, gostos a compartilhar, dicas e experiências a relatar. Qualquer pessoa, pelo simples fato de viver, independente da bagagem cultural que carregue, passa por experiências que poderiam muito bem ser expostas em um blog.
Além disso, a facilidade que as plataformas de blogs têm proporcionado no momento de editar os posts e inserir vídeos e imagens, por exemplo, pode ser um recurso bastante atraente pra quem gostaria de escrever sobre assuntos específicos, como moda ou música.
Ter um blog pode ser bastante interessante também pra quem gostaria de ter uma espécie de “arquivo pessoal virtual”, pra olhar depois e perceber a evolução, as mudanças de opinião, essas coisas. Pode ser no estilo diário mesmo, que a gente lê depois e recorda os momentos da vida. Ter um blog pode ser ainda uma forma bastante legal e dinâmica de conhecer novas pessoas, fazer amizades, receber comentários de quem você nunca viu…
E, por fim, ter um blog ajuda, e muito, na prática da leitura e da escrita. Escrita essa que, por sinal, tem sido muito vulgarizada devido à falta de leitura e de tempo desse “mundo” cada vez mais acelerado, sedento por abreviações.
Ter um blog, em outras palavras, pode ser uma forma bastante criativa, dinâmica, interativa e interessante de se comunicar.
Até a próxima.

Cores, samba e belezas naturais: O “Brazil” de Walt Disney

8 dez

Mickey, Minnie, Pato Donald… Zé Carioca. Foi através desse personagem que o Brasil foi representado nas histórias de Walt Disney.

No início, década de 40, a chamada “política de boa vizinha” que os EUA pregavam auxiliou no momento de caracterizar o papagaio Zé Carioca como um camarada simpático, com um gingado todo brasileiro inserido num cenário tipicamente tropical, civilizado e de gente receptiva. E é interessante lembrar que todas essas características do “Brazil” de Disney são bastante diferentes daquelas dadas a outros países que não os EUA (retratado nas histórias como “Patópolis”): As demais nações eram mostradas como inferiores e depreciadas através de habitantes vistos como “bárbaros”.

Em outras palavras, os EUA eram uma espécie de “melhor amigo” do Brasil e Walt Disney exprimia bem isso nas aventuras de seus personagens.

Tamanha amizade, entretanto, começou a decair no início da Ditadura Brasileira, quando nosso país passou a ser visto como “atrasado”, sem capacidade nem mesmo para eleger um Presidente da República. Seguindo esse mesmo raciocínio, o até então “bem apessoado” Zé Carioca passou a ser visto como o típico brasileiro preguiçoso, malandro, pobre e desonesto.

O tempo passou. O direito à democracia foi reconquistado e, se hoje essa caricatura do brasileiro, personificada pelo papagaio de Walt Disney, mudou, é difícil responder.

De qualquer forma, é bastante interessante ver o Brasil, e a música brasileira, retratados de forma tão colorida e bonita num filme de Walt Disney (mesmo que essa “poesia” toda tenha sido baseada numa “amizade” que andou passando por certos “altos e baixos”…)

Abaixo, você pode conferir o trecho “Aquarela do Brasil” do filme “Saludos Amigos”, de 1942:

Até a próxima.

Marcos Mariano da Silva: Justiça que Falha e Tarda.

4 dez

Em uma das postagens da categoria “Notícias e Política”, aqui do Palavroeiro, a matéria intitulada “Pimenta Neves: Justiça que tarda e falha” abordou a demora do judiciário em solucionar o homicídio cometido pelo então colega de profissão da jornalista Sandra Gomide.

Pimenta Neves fugiu do flagrante, tomou grande quantidade de medicamentos como forma de alegar doença psiquiátrica e depois, simplesmente, passou a viver de forma tranqüila em sua casa num bairro nobre de São Paulo. Hoje, devido à idade avançada, dificilmente pagará pelos seus atos em uma prisão.

Marcos Mariano da Silva, por sua vez, além de brasileiro, não possuía nenhuma grande similaridade com Pimenta Neves: Mecânico, de origens humildes, ele não carregava o peso de uma vida pública, nem de um nome conhecido. Enfrentou, porém, como o primeiro, a acusação de um crime e a impunidade da justiça.

Para entender melhor o caso, é preciso remontar à década de 70, mais especificamente no ano de 1976, quando Marcos foi preso acusado de um assassinato que, na verdade, quem cometeu foi um outro Marcos Mariano da Silva.

A coincidência dos nomes o levou para a cadeia, onde ficou por seis anos, até que o verdadeiro culpado aparecesse.

Marcos, então, foi solto e, três anos depois, a tal “justiça”, que já havia falhado gravemente, falhou por uma segunda vez: Parado numa blitz quando dirigia um caminhão, foi reconhecido por um dos policiais como sendo um assassino. Levado aos tribunais, Marcos foi novamente preso por decisão de um juiz que sequer teve a capacidade de ler seu processo, alegando que a então vítima havia “violado a liberdade condicional”.

Não teve jeito. O mecânico honesto, vítima da impunidade e da incapacidade jurídica brasileira, voltou pra trás das grades.

Foram 13 anos na cadeia. Uma tuberculose. Cegueira nos olhos. Um casamento perdido. O primeiro julgamento durou seis anos.

Em outras palavras, foram dezenove anos encarcerado por um crime não cometido.

Marcos Mariano da Silva morreu no último dia 22 de novembro, quando receberia a segunda parte de sua indenização de mais de 2 milhões de reais. Seu caso foi considerado o “maior e mais grave atentado à violação humana já visto na sociedade brasileira”.

E o que há de tão irônico nesta história de vida com a história do assassino Pimenta Neves?

Enquanto a justiça, para este último, rico, importante, tardou e falhou, deixando que ele vivesse tranquilamente à margem de um crime realmente cometido; a justiça, para Marcos Mariano da Silva, mecânico, humilde, falhou e tardou, acusando-o de um falso crime e privando-o, por quase duas décadas, de um de seus bens mais valiosos: a Liberdade.

 

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