Marcos Mariano da Silva: Justiça que Falha e Tarda.

4 dez

Em uma das postagens da categoria “Notícias e Política”, aqui do Palavroeiro, a matéria intitulada “Pimenta Neves: Justiça que tarda e falha” abordou a demora do judiciário em solucionar o homicídio cometido pelo então colega de profissão da jornalista Sandra Gomide.

Pimenta Neves fugiu do flagrante, tomou grande quantidade de medicamentos como forma de alegar doença psiquiátrica e depois, simplesmente, passou a viver de forma tranqüila em sua casa num bairro nobre de São Paulo. Hoje, devido à idade avançada, dificilmente pagará pelos seus atos em uma prisão.

Marcos Mariano da Silva, por sua vez, além de brasileiro, não possuía nenhuma grande similaridade com Pimenta Neves: Mecânico, de origens humildes, ele não carregava o peso de uma vida pública, nem de um nome conhecido. Enfrentou, porém, como o primeiro, a acusação de um crime e a impunidade da justiça.

Para entender melhor o caso, é preciso remontar à década de 70, mais especificamente no ano de 1976, quando Marcos foi preso acusado de um assassinato que, na verdade, quem cometeu foi um outro Marcos Mariano da Silva.

A coincidência dos nomes o levou para a cadeia, onde ficou por seis anos, até que o verdadeiro culpado aparecesse.

Marcos, então, foi solto e, três anos depois, a tal “justiça”, que já havia falhado gravemente, falhou por uma segunda vez: Parado numa blitz quando dirigia um caminhão, foi reconhecido por um dos policiais como sendo um assassino. Levado aos tribunais, Marcos foi novamente preso por decisão de um juiz que sequer teve a capacidade de ler seu processo, alegando que a então vítima havia “violado a liberdade condicional”.

Não teve jeito. O mecânico honesto, vítima da impunidade e da incapacidade jurídica brasileira, voltou pra trás das grades.

Foram 13 anos na cadeia. Uma tuberculose. Cegueira nos olhos. Um casamento perdido. O primeiro julgamento durou seis anos.

Em outras palavras, foram dezenove anos encarcerado por um crime não cometido.

Marcos Mariano da Silva morreu no último dia 22 de novembro, quando receberia a segunda parte de sua indenização de mais de 2 milhões de reais. Seu caso foi considerado o “maior e mais grave atentado à violação humana já visto na sociedade brasileira”.

E o que há de tão irônico nesta história de vida com a história do assassino Pimenta Neves?

Enquanto a justiça, para este último, rico, importante, tardou e falhou, deixando que ele vivesse tranquilamente à margem de um crime realmente cometido; a justiça, para Marcos Mariano da Silva, mecânico, humilde, falhou e tardou, acusando-o de um falso crime e privando-o, por quase duas décadas, de um de seus bens mais valiosos: a Liberdade.

 

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