Archive | janeiro, 2012

Livros voadores no Oscar 2012

30 jan

O curta-metragem abaixo, “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”, é um dos indicados ao Oscar desse ano na categoria Filme de Animação.

Para os apaixonados por leitura, essa é a trajetória, repleta de fantasia, de um homem cujos livros têm vida e são seus mais fiéis companheiros…

Fiquemos, então, na torcida pela Estatueta.

Até a próxima.

“Criança 44”

21 jan

Na Rússia do pós-guerra, um Stalinismo opressor dominava a população com mãos de ferro. A intenção do Estado era a de mostrar ao resto do Mundo que a república socialista estava livre de crimes e que a população vivia numa sociedade justa e pacífica.
Para conseguir alcançar tais objetivos, o governo contava com a ajuda da polícia da Segurança do Estado. Qualquer suspeita de que algum cidadão soviético estivesse fazendo propaganda ocidental, agitação anti-soviética ou que poderia ser espião internacional eram motivos para investigação, interrogatório e execução.
É nesse cenário que atua o agente Liev Demidov.
Liev é o típico policial/cidadão perfeitamente fiel ao Estado.  Nascido e criado na URSS, ele foi ensinado desde criança a amar o Estado e a ter plena convicção de que apenas o Estado o amava. Era do tipo que se dispunha a matar e morrer pelo governo.
Seu trabalho era investigar os prováveis inimigos soviéticos e levá-los para o temível interrogatório, onde, baseados em tortura física e psicológica, os presos políticos se viam obrigados a confessar crimes (muitas vezes não cometidos).
Tudo caminha “bem” na sociedade soviética, até que o assassinato de um menino surge como uma contestação àquele que se dizia o perfeito estado russo.  O fato mexe com a segurança do Estado, claro, e para evitar a revolta da população, um agente é enviado para investigar o caso e concluir que tudo não passou de uma fatalidade, um acidente qualquer.
O agente enviado é Liev. Ele, que até então também tinha total convicção de que tudo não havia passado de um acidente qualquer com uma criança, começa a mudar de idéia após uma sucessão de fatos estranhos em diferentes lugares da URSS:
Será que o Estado era mesmo tão justo e confiável?
O agente, então, resolve investigar a fundo os fatos por trás do caso misterioso.
Prestes a se tornar mais um inimigo político. Arriscando a sua vida e a das pessoas a quem amava em troca da Verdade.


Criança 44 é um livro que me surpreendeu muito. Terminei de ler ontem. Faltavam 134 páginas e eu simplesmente não conseguia parar de ler, sempre querendo saber o que ia acontecer quando eu virasse a página.
Me surpreendeu demais saber como era a União Soviética da década de 50: o socialismo; a desconfiança que imperava mesmo entre os conhecidos; o medo que as pessoas sentiam de serem presas injustamente; as crianças que, desde os primeiros anos escolares, já aprendiam a importância do Estado e do quanto elas deviam idolatrá-lo; as torturas físicas e psicológicas durantes os interrogatórios; as execuções e os trabalhos forçados…
É tão grande o leque de conhecimento num único livro que eu só consigo terminar esse post usando as palavras de Scott Turow, escritas logo na capa de “Criança 44”:

 
“Criança 44 é um romance de estréia formidável: original e fascinante da primeira à última página

 
P.S: O livro faz parte de uma trilogia. A segunda parte é chamada “O Discurso Secreto”.

Claudina Oliveira: quebra (dupla) de paradigmas

16 jan

Quando o assunto é profissão, são muitos os pré-conceitos.  Socialmente falando, é muito mais comum e “normal” que se vejam homens monopolizando áreas consideradas estritamente racionais, como as ligadas a cálculo e consertos em geral e aquelas ligadas a esforço físico.  Às mulheres, são socialmente comuns as profissões mais “humanizadas” e domésticas: professoras, secretárias, vendedoras, empregadas domésticas, bibliotecárias.
É claro que, na contramão disso, também vemos muitos homens atuando nessas últimas áreas e, da mesma forma, milhares de engenheiras, mecânicas e caminhoneiras por aí. Detalhe: enquanto eu digitava esse texto, o Word acusou erro na palavra “caminhoneiras” e me sugeriu “caminhoneiros”…
Pois bem. Como eu ia dizendo…
Por mais que existam essas quebras de padrão no âmbito profissional, os pré-conceitos insistem em aparecer e todos nós sabemos disso. Aliás, por experiência própria, como estudante de biblioteconomia, eu sei bem que quando as pessoas pensam no ser “carrasco” de óculos e coque por trás do balcão de uma biblioteca, não é um homem que eles imaginam.
Enfim. Esse post vem contar a história de uma pessoa que quebrou duplamente os tais paradigmas que a sociedade impõe. Primeiramente, por ser mulher, e, depois, por ser idosa.
Claudina Oliveira é mecânica de motos. Uma idosa mecânica de motos.
Ambas as afirmações são, no mínimo, exceções. Quando juntas, então, são duplamente quebra de paradigmas: Claudina Oliveira é uma mulher idosa, mecânica de motos.
Eu admito que quando assisti a reportagem com a história dessa mulher fiquei bastante surpresa. Nem tanto por ser uma mulher, mas por ser idosa. Na verdade, eu achei meio absurdo que uma pessoa nessa idade ainda trabalhasse. Porém, ao longo do vídeo eu vi que a dona Claudina começou a trabalhar  na oficina do filho pra ajudá-lo e hoje adora tanto o que faz que não quer parar.
Quer quebra de paradigma maior que essa? Uma mulher exercendo uma função socialmente típica de um homem ao invés de estar em casa fazendo crochê e cozinhando para os netos, que é o que se espera de qualquer “vovó” por aí?
Diante de tudo isso é que a senhora Claudina Oliveira me motivou intensamente a escrever um post para a categoria “gente” – gente que quebra padrões, que sai do “comum, gente realmente diferenciada.
Fica abaixo o vídeo da reportagem sobre a história da dona Claudina:

Laranja Mecânica

8 jan

Um show de horrores, ou ainda, um “horrorshow” (expressão que, depois de assistir esse filme, se torna bastante familiar) que você não vai mais conseguir esquecer.

Laranja Mecânica é um clássico. Praticamente todas as pessoas apaixonadas por cinema que eu conheço já assistiram e gostaram muito. É um filme atemporal também, porque apesar de ter sido produzido em 1971, ele possui uns elementos super atuais, até meio pop, digamos.

Laranja Mecânica conta a história de Alex, um garoto rebelde, líder de uma gangue de amigos que anda à noite pelas ruas cometendo todo tipo de delinqüência: Eles estupram mulheres, batem em mendigos, assaltam residências, e por aí vai… Alex é, inclusive, do tipo que humilha como forma de manter seu “poder”, condição que o leva a ser traído pelos demais membros do grupo e… preso.

A partir desse momento é que o filme surpreende. Afinal, nada mais justo que ele seja mesmo preso depois de tanta crueldade, não é mesmo? Aliás, eu acho que depois de assistir a tantas cenas explícitas de violência o espectador deve sentir uma imensa vontade de que o cara vá para o inferno de uma vez.

Mas não é o que acontece. Na verdade, depois que Alex vai preso e fica um tempo na cadeia, surge a oportunidade de sair de lá através de um método revolucionário que prometia “curar” criminosos. Basicamente, o preso sairia da prisão para ir para uma espécie de clínica de reabilitação onde uma forte lavagem cerebral o levaria a não ser mais violento, ou melhor, não conseguir mais ser violento.

Vou explicar melhor: Quando Alex vai pra esse local e passa por procedimentos totalmente radicais, ele perde a capacidade de cometer as barbaridades de antes. O método se constitui basicamente na aplicação de um soro que provoca dores e náuseas enquanto o “paciente” assiste a cenas explícitas de violência num telão, tudo isso sem poder fechar os olhos. O cérebro, então, passa a fazer associações negativas toda vez que o sujeito se vê diante do “alvo”.

Aí, como eu havia dito anteriormente, apesar de que o normal fosse que nós, espectadores, sentíssemos raiva e encarássemos o sofrimento de Alex como justiça, não é o que acontece porque, na verdade, o que vemos é um jovem servindo de cobaia para um método totalmente desumano que só serve para beneficiar o Estado. Alex se torna uma vítima do Estado e de todos aqueles que antes eram suas vítimas. E as cenas que se desenrolam a partir disso são dignas de pena: muitas dores, náuseas, confusões mentais e uma tentativa de suicídio.

Não vou ficar entrando em maiores detalhes, mas, depois de assistir Laranja Mecânica, você certamente não vai mais encarar Beethoven e “Singing in the rain” do mesmo jeito.

Clique aqui para fazer o download do filme legendado em português.

2012 rumo ao não-conformismo

2 jan

E mais um ano chegou…

Como sempre, as pessoas agora se aproveitam da entrada do Novo Ano pra buscar as tais melhorias pessoais, profissionais e, para as mais altruístas, globais.

A propósito, falando em altruísmo, bem que seria muito bom se o famoso espírito bondoso que nasce no Natal não tivesse um prazo de validade tão curto. Parece que como nessa época do ano os comerciais de TV são todos cheios de sentimentos, com familiares e amigos se abraçando e se presenteando diante de uma mesa farta as pessoas ficam mais sensibilizadas ou sei-lá- o- quê e sentem vontade de ajudar o próximo. O Ano Novo, ao contrário, tá mais pra “Mega da Virada” que pra sentimento fraternal, mas enfim, não é sobre essa manipulação midiática que esse post vem falar.

Na verdade, assistindo hoje a uma reportagem do programa Domingo Espetacular, muito bem-feita por sinal, (assista aqui) sobre como foi e o que representa a virada do Ano para grupos de moradores de rua de várias capitais brasileiras, eu me peguei pensando pra onde teria fugido o espírito de bondade do Natal.

O que mais me indignou, e acredito que indignaria qualquer pessoa com um mínimo de respeito pelo ser humano, foi ver pessoas sem praticamente nada pra comer na noite do Réveillon enquanto os fogos brilhavam no céu e milhões brindavam a chegada de novos planos, expectativas, desejos e por aí vai.

Essas pessoas, que vão desde crianças até idosos, ao contrário da maioria, não têm o que festejar e nem planos pra elaborar. Elas se vêem muitas vezes obrigadas a enfrentar essa vida (sim, porque ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre os moradores de rua estão ali por má vontade ou falta de caráter, muitos simplesmente não encontram outra saída) como o caso da mulher abandonada pelo marido com quatro meninas, morando embaixo de um viaduto, que não tem como trabalhar por não poder deixá-las sozinhas, ou o caso do homem que se envolveu com drogas, foi preso, ficou desempregado e devido ao histórico criminal não conseguiu mais trabalhar e ainda a mulher que perdeu a casa num desastre e, com baixo salário e descaso do governo, foi parar nas ruas.

Vendo esse tipo de cena, muitos sentimentos vêm à tona. No caso dos moradores de rua de Brasília, por exemplo, a ironia de ver pessoas passando fome a uma distância de 500 metros do Palácio do Planalto, onde dezenas de políticos enchem seus bolsos com o dinheiro do povo e usufruem de tantas mordomias sem merecimento, a sensação é de extrema revolta. Aliás, é exatamente aí que começa o primeiro passo rumo ao não-conformismo que todos nós deveríamos adotar agora nesse início de ano eleitoral. É na escolha dos governantes que se baseiam as mudanças pra melhor ou pra pior e, sim, ao contrário do que disse o palhaço Tiririca em sua campanha eleitoral, as coisas podem piorar sim, e muito!

O segundo passo não menos importante rumo ao não-conformismo seria basicamente deixar de ver certas coisas com apatia, como se fossem “normais”. Olhar um mendigo na rua comendo lixo não é normal. Ver uma criança fora da escola, dormindo embaixo de um viaduto também não é normal. E não importa se falamos de uma cidade do interior ou uma capital com milhões de habitantes: nós devemos sim ficar revoltados com essas cenas porque, como num ciclo, são elas que vão provocar a indignação necessária pra que possamos agir de forma correta no nosso primeiro passo rumo ao não-conformismo: o momento de escolha dos governantes.

E, enquanto os maus políticos com suas políticas públicas ineficientes não se mostram capazes de trazer melhorias às vidas dos moradores de rua, por que nós mesmos não saímos do nosso conformismo para ajudar o próximo?

%d blogueiros gostam disto: