2012 rumo ao não-conformismo

2 jan

E mais um ano chegou…

Como sempre, as pessoas agora se aproveitam da entrada do Novo Ano pra buscar as tais melhorias pessoais, profissionais e, para as mais altruístas, globais.

A propósito, falando em altruísmo, bem que seria muito bom se o famoso espírito bondoso que nasce no Natal não tivesse um prazo de validade tão curto. Parece que como nessa época do ano os comerciais de TV são todos cheios de sentimentos, com familiares e amigos se abraçando e se presenteando diante de uma mesa farta as pessoas ficam mais sensibilizadas ou sei-lá- o- quê e sentem vontade de ajudar o próximo. O Ano Novo, ao contrário, tá mais pra “Mega da Virada” que pra sentimento fraternal, mas enfim, não é sobre essa manipulação midiática que esse post vem falar.

Na verdade, assistindo hoje a uma reportagem do programa Domingo Espetacular, muito bem-feita por sinal, (assista aqui) sobre como foi e o que representa a virada do Ano para grupos de moradores de rua de várias capitais brasileiras, eu me peguei pensando pra onde teria fugido o espírito de bondade do Natal.

O que mais me indignou, e acredito que indignaria qualquer pessoa com um mínimo de respeito pelo ser humano, foi ver pessoas sem praticamente nada pra comer na noite do Réveillon enquanto os fogos brilhavam no céu e milhões brindavam a chegada de novos planos, expectativas, desejos e por aí vai.

Essas pessoas, que vão desde crianças até idosos, ao contrário da maioria, não têm o que festejar e nem planos pra elaborar. Elas se vêem muitas vezes obrigadas a enfrentar essa vida (sim, porque ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre os moradores de rua estão ali por má vontade ou falta de caráter, muitos simplesmente não encontram outra saída) como o caso da mulher abandonada pelo marido com quatro meninas, morando embaixo de um viaduto, que não tem como trabalhar por não poder deixá-las sozinhas, ou o caso do homem que se envolveu com drogas, foi preso, ficou desempregado e devido ao histórico criminal não conseguiu mais trabalhar e ainda a mulher que perdeu a casa num desastre e, com baixo salário e descaso do governo, foi parar nas ruas.

Vendo esse tipo de cena, muitos sentimentos vêm à tona. No caso dos moradores de rua de Brasília, por exemplo, a ironia de ver pessoas passando fome a uma distância de 500 metros do Palácio do Planalto, onde dezenas de políticos enchem seus bolsos com o dinheiro do povo e usufruem de tantas mordomias sem merecimento, a sensação é de extrema revolta. Aliás, é exatamente aí que começa o primeiro passo rumo ao não-conformismo que todos nós deveríamos adotar agora nesse início de ano eleitoral. É na escolha dos governantes que se baseiam as mudanças pra melhor ou pra pior e, sim, ao contrário do que disse o palhaço Tiririca em sua campanha eleitoral, as coisas podem piorar sim, e muito!

O segundo passo não menos importante rumo ao não-conformismo seria basicamente deixar de ver certas coisas com apatia, como se fossem “normais”. Olhar um mendigo na rua comendo lixo não é normal. Ver uma criança fora da escola, dormindo embaixo de um viaduto também não é normal. E não importa se falamos de uma cidade do interior ou uma capital com milhões de habitantes: nós devemos sim ficar revoltados com essas cenas porque, como num ciclo, são elas que vão provocar a indignação necessária pra que possamos agir de forma correta no nosso primeiro passo rumo ao não-conformismo: o momento de escolha dos governantes.

E, enquanto os maus políticos com suas políticas públicas ineficientes não se mostram capazes de trazer melhorias às vidas dos moradores de rua, por que nós mesmos não saímos do nosso conformismo para ajudar o próximo?

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