Fahrenheit 451: o filme que queima livros.

21 ago

Há algum tempo assisti Fahrenheit 451. Nem sei como cheguei a este filme, porque realmente não me lembro de ter tido alguma recomendação direta. Não por ele não ser bom, claro, porque é ótimo, mas talvez por ser de um estilo Cult, antigo (1966, mais precisamente) e não ter,digamos, um “marketing” tão sedutor que faça com que várias pessoas o conheçam. Enfim, eu devo ter chegado a ele por meio dessas listas do tipo “filmes que você deve ver”, talvez…

Bom, o que sei é que Fahrenheit 451 possui um senso crítico bastante apurado. Ambientado numa sociedade totalitária onde o Estado provoca total alienação em seu povo através do controle dos meios de comunicação, ele é um filme que queima livros. Sim, simples. Na maior parte do filme, vemos livros sendo queimados com espécies de “maçaricos” usados por bombeiros. Esses últimos, a propósito, não tem nada de heróis nesse filme, exceto um, que, claro, é o protagonista e, por se encontrar numa crise ideológica, passa a questionar esse comportamento medíocre, se rebela e resolve não só não queimar os nossos amigos, como também lê-los e ajudar outras pessoas a preservá-los.

O controle no acesso à informação e ao conhecimento é tanto que as pessoas parecem realmente umas idiotas, sentadas na frente da TV, interagindo com ela, como se os personagens lá dentro fossem da família mesmo. Pura alienação.

Como todo bom filme, Fahrenheit 451 também faz a gente pensar. Pessoalmente, como estudante de Ciência da Informação e futura Bibliotecária, pensei no quanto a sociedade ainda faz isso com os livros, não literalmente, mas ideologicamente. Quantos livros “queimamos”, ou melhor, quantas novas ideias, informações e conhecimentos nós não sublimamos como fumaça ao deixar de ler certas coisas? É claro que estamos perdendo muito com isso, é até clichê dizer o quanto, mas o que mais incomoda é o quanto outros estão ganhando com isso. Como no caso do filme, em que o Estado ganhava uma população submissa aos seus desmandes, os nossos políticos também têm ganhado muito com esse nosso hábito de jogar na “fogueira” da ignorância todas as informações que poderíamos usar contra eles. Eles são os maiores interessados nisso.

Mas agora a discussão tá indo pra outro lado, e não é essa a intenção por enquanto.  O que importa mesmo é que Fahrenheit 451 nos mostra quanto somos privilegiados por viver numa sociedade democrática, livre, em que, apesar do ainda pouco incentivo à leitura, podemos ver e ler o que quisermos, pensarmos como quisermos, que nenhum bombeiro vai vir com seu jato de fogo pra queimar as nossas ideias. Basta querermos para sermos.

É isso. O link pra quem quiser assisti-lo também é esse aqui: http://cinemacultura.com/?p=2366

 

2 Respostas to “Fahrenheit 451: o filme que queima livros.”

  1. Bruna Andrade 12/11/2012 às 2:09 PM #

    Olá! Cheguei ao seu blog procurando imagens do Fahrenheit no Google, haha. Sabia que o filme foi inspirado por um livro do fantástico Ray Bradbury? Já resenhei o livro no meu blog, depois dá uma olhadinha.😀
    Ainda não assisti ao filme, mas tenho certeza de que vc adoraria o livro e outras obras desse autor.😉

    Fahrenheit 451, Criolo e Laranja Mecânica. Só pelos últimos posts já gostei do blog!

    Beijos!

    • vanialuciacoelho 07/02/2013 às 11:22 PM #

      Obrigada pela opinião e dicas, Bruna. Com certeza fiquei a fim de ler o livro tbm. Volte sempre. Um abraço.

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