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Dia Internacional da Mulher: “homenagenzinha” ou reflexão social?

8 mar

mulher1Eu não poderia deixar o dia de hoje passar em branco, sem nenhuma manifestação nesse humilde blog, depois de já me considerar feminista há pelo menos uns dois ou três anos.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. É aquele dia em que recebemos flores e “homenagens” bonitinhas falando sobre como somos doces, meigas, fortes, lindas, boas mães, esposas, filhas, etc, etc, etc. Nosso WhatsApp e Facebook são inundados por imagens e textinhos meigos, “especialmente” pra nós, nos parabenizando pelo nosso dia.

Apesar de não me importar em receber estes “mimos” virtuais (eu até mesmo os envio pras mulheres que gosto e admiro), acredito que a questão que realmente envolve o Dia Internacional da Mulher seja uma reflexão social que muitas vezes fica perdida em meio a tantas rosas, promoções de eletrodomésticos, maquiagens e manicures grátis. No meio dessas demonstrações, muitas vezes completamente equivocadas e tendenciosas, ficam ocultas as verdadeiras razões pelas quais hoje é um dia de refletir sobre as reais condições de vida da mulher na sociedade dos dias de hoje. E isso envolve muita, muita coisa. Pra me ajudar, peguei alguns termos usados nessas imagens “bonitinhas”. Aí vão:

LINDA- Em meio a tantos padrões de beleza ditados pela mídia, ser “linda” hoje significa uma busca constante por mulher4procedimentos estéticos invasivos e perigosos, dietas restritivas, automutilação, tudo isso em detrimento da saúde e bem-estar. Para se tornar modelo do que é bonito para a sociedade, as mulheres buscam emagrecer de forma radical, abusam de químicas nocivas à pele e cabelo, implantam silicones, reduzem gorduras. O objetivo é ser aceita por uma sociedade que subjuga quem está fora do considerado “perfeito” e que mata quem tenta de todas as formas chegar a ele.

GUERREIRA- A mulher é vista como guerreira. E pode-se dizer que, sim, ela combate praticamente uma guerra diária para se manter viva. Tomar cuidado com o que diz, com o que faz, com o que veste são alguns dos códigos que aprendemos desde crianças. Não olhar de determinada forma pra um homem, não contrariá-lo, não usar determinadas roupas que possam instigar o desejo, não responder às cantadas (insultos) na rua, não isso, não aquilo, não, não, não, acabam se tornando estratégias quase instintivas pela manutenção da integridade física e psicológica, pela manutenção da vida. Ser “rebelde” pode significar uma agressão, um estupro, um assédio moral, um assassinato.

BOAS MÃES, ESPOSAS, FILHAS – Essa é clássica das imagens em homenagem ao dia das mulheres.  “Boa mãe”, mas temmulher3 que ser mãe casada. Mãe solteira vai ser crucificada pela sociedade. Ah, e TEM QUE SER mãe: nada de aborto porque quem decide sobre útero e a escolha da maternidade não são as mulheres, mas a igreja e a bancada evangélica do congresso nacional. “Boa esposa”, por sua vez, significa ser submissa às vontades do marido, não ter opinião, não poder protestar ou contestar o patriarca. Pode significar também violência doméstica velada e o acúmulo de funções domésticas, porque, afinal, a sociedade ainda acha que lavar, passar, limpar, cozinhar e cuidar dos filhos é tarefa única e exclusiva da mulher. Por fim, “boa filha” é aquela que muitas vezes carrega sozinha todas as responsabilidades no cuidado dos pais já idosos, afinal, “cuidar” sempre foi visto como um verbo feminino, da mulher que é maternal, que cuida de todos, mas que, afinal, não tem ninguém que cuide de si mesma.

Eu poderia continuar falando sobre dezenas de outros atributos que recebemos no dia de hoje mas que envolvem questões muito mais complexas e obscuras por trás. Salários e oportunidades profissionais menores que os dos homens, pré-conceitos sobre como somos emocionais e pouco racionais, menos inteligentes, menos capazes, sobre como nossos corpos são vistos como propriedade pública, sobre como ainda nos julgam pela aparência, sobre como mulher5ainda estamos fadadas a ser vistas apenas como mães e esposas, sobre as milhares de mulheres assassinadas anualmente, sobre os casos de “revenge porn” que levam centenas de mulheres a se suicidarem, sobre violência obstetrícia, sobre os assédios morais nas empresas, sobre os relacionamentos abusivos que mulheres vivenciam diariamente, sobre o machismo nos cursos universitários “tipicamente masculinos”, sobre a dificuldade que temos em provar nossa capacidade nos esportes, na ciência, na tecnologia. Sobre, enfim, como pertencemos a um sistema patriarcal e machista que insiste em nos vitimizar todos os dias.

Mas, como não posso me estender muito, peço apenas uma coisa: você, que estiver lendo isso, busque fugir dos pré-conceitos e estereótipos machistas, procure fazer a diferença. No dia de hoje, não procure no Google apenas mais uma imagenzinha fofa sobre o dia da mulher. Se aprofunde em conhecer as demandas das mulheres, a causa feminista. Não seja só mais um ser alienado e pré-moldado pelo sistema. É no protesto diário e contínuo que se combate o machismo e se busca uma sociedade que, acima de flores, promoções em eletrodomésticos, maquiagens e manicures grátis, procure ser igualitária, justa e fraterna para todos os seus membros, homens ou mulheres.

Consumismo infantil: “Criança, a alma do negócio”

30 jul

???????????????????????????????Uma roda de crianças tem a sua frente dois papéis. Em um, a palavra “comprar”; no outro, “brincar”. Imediatamente após serem questionadas e incentivadas a escolher qual dos dois eles preferiam, a resposta instantânea: “comprar”. Essa foi uma das cenas do documentário “Criança, a alma do negócio” que mais me preocupou. Uma dentre dezenas.

Apesar de quase não ter contato direto com crianças, não é difícil perceber que a atual geração de meninos e meninas não cultiva mais certos hábitos que a minha “turma” adorava. O contato com a tecnologia vem desde o berço, literalmente, e coisas como brincar na rua, tão banais para a minha geração, se tornaram realmente raras pra eles.consumo criança Continue lendo

Nerd: “ser” ou “estar”?

6 fev

Já faz um tempo que eu gostaria de escrever sobre isso porque é um assunto meio intrigante pra mim.
Tenho visto tanta gente (homens e mulheres) conversando sobre e compartilhando na internet assuntos relacionados a The Big Bang Theory, The Walking Dead, Game of Thrones, jogos de video-game, idolatrando memes, dinossauros, zumbis, vampiros, personagens do Star Wars, do Mario World, gibis, etc, etc, etc, que acabei me fazendo a seguinte pergunta:
Será que os nerds de hoje SÃO ou ESTÃO?
Explico melhor: no início dos anos 2000, quando eu estava lá pela quinta, sexta série, ser nerd (ou CDF – “cabeça de ferro”) era simplesmente ser muito inteligente. Basicamente, era aquele carinha (ou menina) mais tímido, com poucos amigos e que tirava as melhores
notas. E não, isso não era muito legal.
Hoje, e é daí que vem o lado cômico da história, e o motivo por eu escrever sobre isso, ser nerd é jogar videogame, assistir uns seriados legais, curtir uns filmes de ficção científica, ler gibis, dentre tantas outras coisas.  Ah, claro, ser nerd hoje também é usar um óculos (de preferência grande e de aro bem grosso, pra ficar bem com cara de intelectual mesmo) e uma camiseta com algo que simbolize a cultura nerd (pode ser, sei lá, o cogumelo do Mario).
Enfim, ser nerd não é mais o que era antes. Ser nerd, digamos que, hoje, é POP.
E é aí que vem o título desse humilde post: os nerds realmente o SÃO ou só ESTÃO? Continue lendo

“O riso dos outros”: limite e humor

10 dez

Depois de um tempo sem postar, tanto por falta de tempo, quanto, e principalmente, por falta de inspiração, aqui estou de novo. O tema que me intrigou dessa vez já se pode dizer que está entrando para aquela lista básica de assuntos que não se discute, devido à quantidade de polêmica que tem causado: o humor, ou melhor, o limite do humor.

rafinhaRafinha Bastos, certamente, é o maior expoente dessa discussão toda em torno dos limites entre aquilo que é realmente engraçado e o que se torna uma ofensa. A (infeliz) frase que ele pronunciou durante o programa CQC sobre a cantora Wanessa Camargo e o filho, que ela até então esperava, lhe renderam um processo, a saída do programa e uma enxurrada de opiniões e polêmicas. Acho que foi daí que partiram as primeiras discussões mais acaloradas sobre o tema, principalmente pela mídia sensacionalista.

P.S: a última dele foi uma ofensa ao apresentador Luciano Huck que também pretende entrar com um processo. Mais um. Continue lendo

Classificação indicativa pra quê, senhor Deputado?

11 out

Todo mundo que vai ao cinema, assiste TV ou compra jogos eletrônicos tá cansado de saber que pra todas essas mídias existe uma idade mínima recomendada. É a famosa “classificação indicativa”, que, na TV, é representada por aquele quadradinho colorido com um número dentro, no canto da imagem.

Profissionais formados em comunicação, pedagogia, antropologia, direito e cinema são os responsáveis por definir a partir de qual idade um determinado conteúdo pode ser visto sem maiores restrições; e os níveis de classificação, que são “Livre para todos os públicos”, 10, 12, 14, 16 e 18 anos tem algumas restrições também com relação ao horário de exibição: Programas com idade mínima recomendada de 14 anos, por exemplo, só podem ser exibidos após as 21h, assim como aqueles ideais para maiores de 18, que só podem aparecer na programação após as onze da noite.

Obs: No caso da TV a cabo, não há restrições porque, diferente da TV aberta, os pais têm a opção de bloquear os canais que não querem que seus filhos vejam.

Na tabela abaixo, é possível conferir os motivos pelos quais cada atração é ou não recomendada para uma determinada faixa etária: Continue lendo

O Homem na Natureza: vilão ou mocinho?

19 maio

Aquecimento global, derretimento das calotas polares, desmatamento, buraco na camada de ozônio: quem nunca ouviu falar ou, pior, nunca se preocupou com as possíveis consequências de todos esses fatores para o futuro da humanidade?

Ainda que não pessoalmente, não se é raro assistir a desastres naturais. Eles surgem todo ano, em determinadas estações ou após alguns fenômenos da natureza. São terremotos, tsunamis, vendavais, desabamentos…

O problema de tudo isso é que nós sempre somos a causa do problema. A ciência, há anos, vem dando explicações pra esses fenômenos e todas são baseadas na ação do homem: nós desmatamos, poluímos e usamos desodorante (sim, já que os gases presentes nas embalagens dos aerossóis, os clorofluorcarbonetos, CFC`s, tem sido vistos como os vilões responsáveis pelo buraco na camada de ozônio).

Até aí tudo bem. Já são tantos anos de culpa que nós até nos acostumamos com o status de vilões. Mas, e se de repente surgisse uma exceção pra essa “regra”? E se você se deparasse com teorias completamente diferentes dessas que nos foram passadas há tanto tempo, ou até mesmo teorias que as desmentissem ou ao menos as questionassem? E se alguém surgisse em público dizendo que a existência da camada de ozônio sequer foi comprovada, que o nível dos mares quase não subiu nos últimos séculos e que não são as florestas que trazem as chuvas, mas sim o contrário?

Pois é isso que o professor da USP, Ricardo Augusto Felício, vem nos apresentar nos vídeos abaixo, em uma entrevista para o Jô Soares.

Você certamente vai ficar bastante surpreso e, o melhor, bastante aliviado também.

P.S: A entrevista é longa, mas vale muito a pena pra se ter um embasamento na hora de discutir com aquele amigo pessimista, que acha que o apocalipse vai ocorrer em dezembro e que a culpa também é sua.

Viva e deixe Viver: Leitura-terapia

22 abr

Como já havia publicado no post “Ler para ser: a leitura transformando histórias”, o hábito de ler trouxe mudanças muito significativas e positivas em comunidades que até então nunca haviam tido contato com a leitura:

Não basta dizer que a leitura é essencial na constituição do nosso acervo cultural, ou que ela proporciona “viagens” sem sair do lugar, aguça a imaginação e forma cidadãos críticos, capazes de contribuir para a evolução nacional. Tudo isso é êxito inquestionável do ato de ler, mas é preciso ir além. É preciso conhecer vidas, histórias e trajetórias que foram atravessadas e definitivamente modificadas por esse universo transformador que é a Leitura.

No post de hoje, apresento uma Leitura que vai além do caráter sócio-educativo para influenciar, também, na saúde de centenas de pessoas.

Quem já viu o filme “Patch Adams”, certamente percebeu como a alegria é mesmo contagiosa e pode agir de maneira muito positiva no tratamento de pessoas hospitalizadas. O que poucos sabem, porém,é como a leitura, através da contação de histórias, também pode contribuir para o bem-estar dos pacientes.

E foi dia desses, lendo uma revista qualquer, que eu, que também desconhecia o poder da leitura nesse tipo de ambiente, conheci melhor o trabalho de associações como a “Viva e deixe Viver”.

Entrando no site, bastante colorido e dinâmico, encontrei várias informações a respeito da ONG, que existe desde 1997, está presente em diversas casas de apoio, clínicas e hospitais de oito estados brasileiros (Bahia, Brasília, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo) e já atendeu mais de meio milhão de crianças e adolescentes hospitalizados nesses quase quinze anos de existência.

O mais legal de tudo é ver que o fato de voluntários doarem duas horas semanais para atuar ludicamente junto aos pacientes, através do “ler” e do “brincar”, tem sido realmente um santo remédio, provado, inclusive, nas estatísticas: segundo o site PHILIPS Sustentabilidade, uma pesquisa realizada em 2006 por psicólogos da Santa Casa de São Paulo avaliou por um ano o efeito do trabalho de contadores de histórias no tratamento de 15 crianças com câncer, no setor de pediatria do hospital. Os resultados mostraram que 66% das crianças tiveram melhora no humor e no estado emocional. Em 46% dos casos, a interação com médicos, acompanhantes e outras crianças também melhorou. 60% dos pacientes que estavam apáticos passaram a caminhar pelo corredor e a brincar e, por fim, outro ponto importante notado pela pesquisa foi a melhora do apetite, registrada em 60% das crianças.

E não só os números podem nos ajudar a entender melhor a dimensão dos benefícios que a leitura tem trazido a esses milhares de crianças e adolescentes atendidos pela Associação. Basta ter passado por um ou ao menos conhecer de longe um leito de hospital para saber quão necessária se torna a humanização deste tipo de ambiente, para que ele tenha cor, fantasia, vida, energia, alegria…

Conheça abaixo um pouco mais sobre a “Associação Viva e Deixe Viver”. Entre no site, conheça melhor os projetos e, principalmente, disponha-se a doar, você também, duas horas semanais para trazer o sorriso dos vários meninos e meninas por esses hospitais Brasil afora.

SEJA UM VOLUNTÁRIO: http://www.vivaedeixeviver.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=89&Itemid=24

 

PESQUISAS: http://www.vivaedeixeviver.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=212&Itemid=25

 


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