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2013: 1984

27 dez

Foi difícil ver esse cursor piscando na página em branco do Word e conseguir começar a escrever. Na verdade, acho que esse ato, o de escrever, se tornou mais difícil. Houve assuntos polêmicos sobre os quais eu até poderia postar algo, músicas das quais eu gostei, alguns bons livros lidos e eu até mesmo, finalmente, assisti à trilogia do Poderoso Chefão (e adorei), mas (e quanto “mas” eu tive esse ano!), apesar disso, parecia que sempre faltava um “toque” a mais pra realmente me motivar a escrever sobre um determinado assunto. Faltou motivação mesmo.

A verdade é que eu pensei muito no blog e no quê eu poderia compartilhar por aqui. O Google foi legal comigo, e, apesar da ausência de meses, meus views não caíram muito e, esporadicamente, alguém curtia a página do Palavroeiro no Facebook (para a minha alegria!)

Big-Brother-Is-Watching-You-94815124855Mas agora, com 2013 quase acabando e sem mais delongas e explicações, vou direto ao ponto: quero falar sobre 1984. Não o ano. O clássico do George Orwell. Continue lendo

“Carcereiros”: a realidade vista de dentro

25 jul

Eu semprepena-de-morte fui a favor de pena de morte. Confesso que, inicialmente, sob grande influência do meu pai, um crítico espectador assíduo de telejornais sensacionalistas, com pouca crença na efetividade da justiça brasileira e indignação suficiente para ser favorável ao “olho por olho, dente por dente”.

Depois, eu mesma fui sendo levada pelo sentimento passional da justiça com as próprias mãos. Ficava indignada com a brutalidade das dezenas de crimes que assistia pela televisão e, pra mim, não havia pena à altura de tamanha selvageria, exceto a morte.

Muito exagero, admito. E até mesmo uma certa irracionalidade.

Um dia, porém, resolvi pesquisar o quê outras pessoas pensavam da pena de morte. Pesquisei na internet e li num artigo alguns fatos que me chamaram atenção. Coisas como a quantidade de casos mal solucionados, com pessoas levadas à pena capital injustamente (em especial as mais pobres), e estatísticas que mostram que o fato de um país aplicar pena de morte não necessariamente diminui seus índices de criminalidade.

Ainda não tinha mudado de ideia (e, na verdade, ainda não sei se mudei por completo), mas já começava, a partir daí, a imaginar que matar talvez não fosse mesmo a melhor solução, pelo menos não em um país como o nosso.

Depois de um tempo, coincidentemente, uma página de revista que curto no Facebook publicou uma matéria sobre a redução da alckmin-maioriade-penalmaioridade penal. Essa discussão surgiu depois da morte de um estudante na porta do prédio em que morava, assassinado por um menor que ia fazer 18 anos poucos dias depois. Todo mundo estava com os nervos à flor da pele, questionando até que ponto um adolescente não tem consciência de seus atos para não pagar por eles como um adulto qualquer. No artigo, o jornalista se posicionava contra a redução da maioridade penal. Porém, diferente dos especialistas que apelavam para fatores biológicos para serem contrários à redução da maioridade penal (coisas como o fato de o cérebro dos adolescentes e o senso do “certo e errado” ainda não estar plenamente desenvolvido até os 18 anos), este especialista afirmava ser contra a redução por fatores políticos: para ele, a “culpa” de tantos adolescentes estarem entrando na criminalidade está centrada na ausência de políticas públicas sérias voltadas para eles. A precariedade na saúde, na educação, no lazer, na cultura, enfim, a precariedade de todos os fatores políticos, econômicos e sociais que cercam esses jovens são os principais impulsionadores a levá-los para o crime. Em outras palavras, para o autor do artigo, a solução não estaria em diminuir a idade mínima para prender esses jovens, mas investir em políticas públicas que os afastassem da criminalidade.

carcereDepois de conhecer essa e outras opiniões sobre o assunto, tive a oportunidade de ler, através de uma loteria da editora Companhia das Letras em que tive meu blog sorteado, o livro “Carcereiros”, do Drauzio Varella. Continue lendo

Náusea literária: O Morro dos Ventos Uivantes

31 mar

Já faz um tempo que não compartilho aqui no blog as impressões sobre minhas últimas leituras. Desde “A Revolução dos bichos”, meu último post na categoria livros, eu já li “Marina”, “O Rei Branco”, “Em nome de Salomé”, “A menina que não sabia ler”, “O que é biblioteca”, “Deuses americanos” e, finalmente “O morro dos Ventos Uivantes”.

Não sei bem o que tem acontecido. Se meu gosto literário tem mudado ou se eu simplesmente não andei tendo a sorte de encontrar um deuses-americanos-3-edlivro arrebatador, do tipo que não se quer mais parar de ler. O fato é que, dentre todos os acima citados, o único que me envolveu mesmo foi “Deuses americanos”, do Neil Gaiman. Este, a propósito, ainda não entrou aqui pro Palavroeiro porque eu pretendo preparar um post especial, inteiramente dedicado às obras dele. Pra isso, claro, eu preciso ler os outros que eu já tenho no livreiro de casa: “Mr. Punch”, “Sinal e Ruído” e “Coisas frágeis”. Do Neil, eu já li também “Lugar nenhum” e, sim, me envolveu bastante.

Após o do Gaiman, talvez apenas “Marina” tenha sido um livro que, apesar de não ter achado tãããão bom, não me deu vontade de abandonar a leitura. Os demais, confesso, tive de ter muita persistência pra continuar até o fim.

Mas nada supera o que eu senti lendo “O morro dos Ventos Uivantes”. Continue lendo

A revolução dos bichos: uma fábula do poder

22 jun

Pra começar o post, meus singelos pedidos de desculpas pelo tempo ausente. Um dos motivos foi mesmo a falta de inspiração e de criatividade pra criar algo legal. Eu geralmente escrevo sobre as coisas que mexem mesmo comigo e isso não vinha acontecendo há algum tempo.

ImageNos últimos três dias, li um livro. Um dos clássicos da literatura universal, do tipo “livros que você deve ler antes de morrer”: A revolução dos bichos, de George Orwell.

É um livro relativamente pequeno, de 103 páginas, com um tipo de leitura que flui, desliza mesmo, como quando a gente lê um conto de fadas. A propósito, A revolução dos bichos é vista como uma fábula do poder que, inclusive, foi lida por crianças, filhos de muitos dos contemporâneos de George Orwell.

Com uma história de fácil entendimento, que faz analogias à ditadura de Stalin, pode-se dizer que é um enredo atemporal. Noções de proletariado, burguesia, direita e esquerda, abusos de poder e repressão são tratadas de forma didática, através de alusões a episódios ocorridos durante a Revolução Russa.

Como citado anteriormente, li A revolução dos bichos em três dias. Não apenas pela facilidade de leitura e pelo enredo interessante, mas pelo misto de sensações que esse livro pode causar. Continue lendo

Viva e deixe Viver: Leitura-terapia

22 abr

Como já havia publicado no post “Ler para ser: a leitura transformando histórias”, o hábito de ler trouxe mudanças muito significativas e positivas em comunidades que até então nunca haviam tido contato com a leitura:

Não basta dizer que a leitura é essencial na constituição do nosso acervo cultural, ou que ela proporciona “viagens” sem sair do lugar, aguça a imaginação e forma cidadãos críticos, capazes de contribuir para a evolução nacional. Tudo isso é êxito inquestionável do ato de ler, mas é preciso ir além. É preciso conhecer vidas, histórias e trajetórias que foram atravessadas e definitivamente modificadas por esse universo transformador que é a Leitura.

No post de hoje, apresento uma Leitura que vai além do caráter sócio-educativo para influenciar, também, na saúde de centenas de pessoas.

Quem já viu o filme “Patch Adams”, certamente percebeu como a alegria é mesmo contagiosa e pode agir de maneira muito positiva no tratamento de pessoas hospitalizadas. O que poucos sabem, porém,é como a leitura, através da contação de histórias, também pode contribuir para o bem-estar dos pacientes.

E foi dia desses, lendo uma revista qualquer, que eu, que também desconhecia o poder da leitura nesse tipo de ambiente, conheci melhor o trabalho de associações como a “Viva e deixe Viver”.

Entrando no site, bastante colorido e dinâmico, encontrei várias informações a respeito da ONG, que existe desde 1997, está presente em diversas casas de apoio, clínicas e hospitais de oito estados brasileiros (Bahia, Brasília, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo) e já atendeu mais de meio milhão de crianças e adolescentes hospitalizados nesses quase quinze anos de existência.

O mais legal de tudo é ver que o fato de voluntários doarem duas horas semanais para atuar ludicamente junto aos pacientes, através do “ler” e do “brincar”, tem sido realmente um santo remédio, provado, inclusive, nas estatísticas: segundo o site PHILIPS Sustentabilidade, uma pesquisa realizada em 2006 por psicólogos da Santa Casa de São Paulo avaliou por um ano o efeito do trabalho de contadores de histórias no tratamento de 15 crianças com câncer, no setor de pediatria do hospital. Os resultados mostraram que 66% das crianças tiveram melhora no humor e no estado emocional. Em 46% dos casos, a interação com médicos, acompanhantes e outras crianças também melhorou. 60% dos pacientes que estavam apáticos passaram a caminhar pelo corredor e a brincar e, por fim, outro ponto importante notado pela pesquisa foi a melhora do apetite, registrada em 60% das crianças.

E não só os números podem nos ajudar a entender melhor a dimensão dos benefícios que a leitura tem trazido a esses milhares de crianças e adolescentes atendidos pela Associação. Basta ter passado por um ou ao menos conhecer de longe um leito de hospital para saber quão necessária se torna a humanização deste tipo de ambiente, para que ele tenha cor, fantasia, vida, energia, alegria…

Conheça abaixo um pouco mais sobre a “Associação Viva e Deixe Viver”. Entre no site, conheça melhor os projetos e, principalmente, disponha-se a doar, você também, duas horas semanais para trazer o sorriso dos vários meninos e meninas por esses hospitais Brasil afora.

SEJA UM VOLUNTÁRIO: http://www.vivaedeixeviver.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=89&Itemid=24

 

PESQUISAS: http://www.vivaedeixeviver.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=212&Itemid=25

 


“Criança 44”

21 jan

Na Rússia do pós-guerra, um Stalinismo opressor dominava a população com mãos de ferro. A intenção do Estado era a de mostrar ao resto do Mundo que a república socialista estava livre de crimes e que a população vivia numa sociedade justa e pacífica.
Para conseguir alcançar tais objetivos, o governo contava com a ajuda da polícia da Segurança do Estado. Qualquer suspeita de que algum cidadão soviético estivesse fazendo propaganda ocidental, agitação anti-soviética ou que poderia ser espião internacional eram motivos para investigação, interrogatório e execução.
É nesse cenário que atua o agente Liev Demidov.
Liev é o típico policial/cidadão perfeitamente fiel ao Estado.  Nascido e criado na URSS, ele foi ensinado desde criança a amar o Estado e a ter plena convicção de que apenas o Estado o amava. Era do tipo que se dispunha a matar e morrer pelo governo.
Seu trabalho era investigar os prováveis inimigos soviéticos e levá-los para o temível interrogatório, onde, baseados em tortura física e psicológica, os presos políticos se viam obrigados a confessar crimes (muitas vezes não cometidos).
Tudo caminha “bem” na sociedade soviética, até que o assassinato de um menino surge como uma contestação àquele que se dizia o perfeito estado russo.  O fato mexe com a segurança do Estado, claro, e para evitar a revolta da população, um agente é enviado para investigar o caso e concluir que tudo não passou de uma fatalidade, um acidente qualquer.
O agente enviado é Liev. Ele, que até então também tinha total convicção de que tudo não havia passado de um acidente qualquer com uma criança, começa a mudar de idéia após uma sucessão de fatos estranhos em diferentes lugares da URSS:
Será que o Estado era mesmo tão justo e confiável?
O agente, então, resolve investigar a fundo os fatos por trás do caso misterioso.
Prestes a se tornar mais um inimigo político. Arriscando a sua vida e a das pessoas a quem amava em troca da Verdade.


Criança 44 é um livro que me surpreendeu muito. Terminei de ler ontem. Faltavam 134 páginas e eu simplesmente não conseguia parar de ler, sempre querendo saber o que ia acontecer quando eu virasse a página.
Me surpreendeu demais saber como era a União Soviética da década de 50: o socialismo; a desconfiança que imperava mesmo entre os conhecidos; o medo que as pessoas sentiam de serem presas injustamente; as crianças que, desde os primeiros anos escolares, já aprendiam a importância do Estado e do quanto elas deviam idolatrá-lo; as torturas físicas e psicológicas durantes os interrogatórios; as execuções e os trabalhos forçados…
É tão grande o leque de conhecimento num único livro que eu só consigo terminar esse post usando as palavras de Scott Turow, escritas logo na capa de “Criança 44”:

 
“Criança 44 é um romance de estréia formidável: original e fascinante da primeira à última página

 
P.S: O livro faz parte de uma trilogia. A segunda parte é chamada “O Discurso Secreto”.

O Velho e o Mar

9 nov

Analisar uma obra que deu a seu autor, Ernest Hemingway, o Prêmio Nobel de Literatura de 1954 não é nada simples.

O velho e o Mar pode ser analisado simplesmente como um livro cativante.

Porém, para demonstrar melhor um pouquinho do seu enredo, lançaremos mão das seguintes “palavras-chave”: Solidão, sonhos, amizade e perseverança.

Resumindo, o livro se caracteriza por um homem já idoso, pescador, que ainda carrega dentro de si o sonho de realizar uma grande pesca, a maior de todas, e provar que a sorte ainda caminha a seu lado.

Viúvo, sem filhos ou qualquer outro familiar, a única pessoa que lhe faz companhia e lhe dá motivação é um menino que o acompanha nas pescarias e lhe oferece uma amizade sincera e afetuosa.

É através de sonhos e da força dessa amizade que o Velho consegue a perseverança responsável por sua decisão de tomar um barco e iniciar sua incansável luta contra os perigos do Mar, dotado apenas de algumas iscas e o pensamento solto que o permite conversar consigo próprio durante toda a empreitada marítima.

O Velho e o Mar é, em outras palavras, um livro que, acima de tudo, traz ensinamentos profundamente marcados pela importância de nunca se perder a Esperança:

“É um pecado perder a esperança” (fala do protagonista Santiago).

Simplesmente, um livro cativante.

Uma boa leitura e até a próxima.

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