Tag Archives: Literatura

2013: 1984

27 dez

Foi difícil ver esse cursor piscando na página em branco do Word e conseguir começar a escrever. Na verdade, acho que esse ato, o de escrever, se tornou mais difícil. Houve assuntos polêmicos sobre os quais eu até poderia postar algo, músicas das quais eu gostei, alguns bons livros lidos e eu até mesmo, finalmente, assisti à trilogia do Poderoso Chefão (e adorei), mas (e quanto “mas” eu tive esse ano!), apesar disso, parecia que sempre faltava um “toque” a mais pra realmente me motivar a escrever sobre um determinado assunto. Faltou motivação mesmo.

A verdade é que eu pensei muito no blog e no quê eu poderia compartilhar por aqui. O Google foi legal comigo, e, apesar da ausência de meses, meus views não caíram muito e, esporadicamente, alguém curtia a página do Palavroeiro no Facebook (para a minha alegria!)

Big-Brother-Is-Watching-You-94815124855Mas agora, com 2013 quase acabando e sem mais delongas e explicações, vou direto ao ponto: quero falar sobre 1984. Não o ano. O clássico do George Orwell. Continue lendo

Anúncios

Náusea literária: O Morro dos Ventos Uivantes

31 mar

Já faz um tempo que não compartilho aqui no blog as impressões sobre minhas últimas leituras. Desde “A Revolução dos bichos”, meu último post na categoria livros, eu já li “Marina”, “O Rei Branco”, “Em nome de Salomé”, “A menina que não sabia ler”, “O que é biblioteca”, “Deuses americanos” e, finalmente “O morro dos Ventos Uivantes”.

Não sei bem o que tem acontecido. Se meu gosto literário tem mudado ou se eu simplesmente não andei tendo a sorte de encontrar um deuses-americanos-3-edlivro arrebatador, do tipo que não se quer mais parar de ler. O fato é que, dentre todos os acima citados, o único que me envolveu mesmo foi “Deuses americanos”, do Neil Gaiman. Este, a propósito, ainda não entrou aqui pro Palavroeiro porque eu pretendo preparar um post especial, inteiramente dedicado às obras dele. Pra isso, claro, eu preciso ler os outros que eu já tenho no livreiro de casa: “Mr. Punch”, “Sinal e Ruído” e “Coisas frágeis”. Do Neil, eu já li também “Lugar nenhum” e, sim, me envolveu bastante.

Após o do Gaiman, talvez apenas “Marina” tenha sido um livro que, apesar de não ter achado tãããão bom, não me deu vontade de abandonar a leitura. Os demais, confesso, tive de ter muita persistência pra continuar até o fim.

Mas nada supera o que eu senti lendo “O morro dos Ventos Uivantes”. Continue lendo

Fahrenheit 451: o filme que queima livros.

21 ago

Há algum tempo assisti Fahrenheit 451. Nem sei como cheguei a este filme, porque realmente não me lembro de ter tido alguma recomendação direta. Não por ele não ser bom, claro, porque é ótimo, mas talvez por ser de um estilo Cult, antigo (1966, mais precisamente) e não ter,digamos, um “marketing” tão sedutor que faça com que várias pessoas o conheçam. Enfim, eu devo ter chegado a ele por meio dessas listas do tipo “filmes que você deve ver”, talvez…

Bom, o que sei é que Fahrenheit 451 possui um senso crítico bastante apurado. Ambientado numa sociedade totalitária onde o Estado provoca total alienação em seu povo através do controle dos meios de comunicação, ele é um filme que queima livros. Sim, simples. Na maior parte do filme, vemos livros sendo queimados com espécies de “maçaricos” usados por bombeiros. Esses últimos, a propósito, não tem nada de heróis nesse filme, exceto um, que, claro, é o protagonista e, por se encontrar numa crise ideológica, passa a questionar esse comportamento medíocre, se rebela e resolve não só não queimar os nossos amigos, como também lê-los e ajudar outras pessoas a preservá-los. Continue lendo

A revolução dos bichos: uma fábula do poder

22 jun

Pra começar o post, meus singelos pedidos de desculpas pelo tempo ausente. Um dos motivos foi mesmo a falta de inspiração e de criatividade pra criar algo legal. Eu geralmente escrevo sobre as coisas que mexem mesmo comigo e isso não vinha acontecendo há algum tempo.

ImageNos últimos três dias, li um livro. Um dos clássicos da literatura universal, do tipo “livros que você deve ler antes de morrer”: A revolução dos bichos, de George Orwell.

É um livro relativamente pequeno, de 103 páginas, com um tipo de leitura que flui, desliza mesmo, como quando a gente lê um conto de fadas. A propósito, A revolução dos bichos é vista como uma fábula do poder que, inclusive, foi lida por crianças, filhos de muitos dos contemporâneos de George Orwell.

Com uma história de fácil entendimento, que faz analogias à ditadura de Stalin, pode-se dizer que é um enredo atemporal. Noções de proletariado, burguesia, direita e esquerda, abusos de poder e repressão são tratadas de forma didática, através de alusões a episódios ocorridos durante a Revolução Russa.

Como citado anteriormente, li A revolução dos bichos em três dias. Não apenas pela facilidade de leitura e pelo enredo interessante, mas pelo misto de sensações que esse livro pode causar. Continue lendo

Evolução da comunicação

4 mar

Lendo o metalinguístico livro “O futuro do livro”, percebe-se que muitos autores, intelectuais, editores ou apaixonados por leitura consideram que o livro, como o conhecemos (no papel) nunca morrerá. Isso porque, mesmo com todos os e-books chegando no mercado e se tornando cada vez mais acessíveis, o prazer de se ter um livro em mãos, sentir sua textura, seu cheiro e poder carregá-lo pra onde quiser (sem ter de se preocupar em ligá-lo, desligá-lo, recarregar a bateria) tudo isso, não tem preço.

É mesmo uma visão bem romântica do livro, e prevalece.

Quando se fala na comunicação como um todo (e aí também o livro se encaixa, por ser um suporte para a informação) sempre que surge uma novidade, surge também com ela os burburinhos de que as antigas formas desaparecerão.

Foi assim quando surgiu o cinema e todos acreditavam que o teatro desaparecia; com a TV, que trouxe a convicção de que o rádio acabaria de vez; com o CD, depois com o DVD, enfim, é assim sempre que surge algo novo: os “velhos” se vêem ameaçados.

O mais legal de tudo isso é que o que vemos, na prática, é uma comunicação cada vez mais flexível, com espaço para todos os suportes e gostos.

Sim, porque desde o moderninho até o mais saudosista, existem meios de transmissão adequados e disponíveis. Não se é difícil encontrar antigos tocadores de L.P, assim como nem preciso falar do quão fácil e acessível é hoje comprar produtos informáticos de todos os tipos e gostos.

A comunicação é mesmo democrática. Respeita as individualidades e se “molda” de acordo com o público.

Nesse vídeo, são apresentados os mais diversos instrumentos comunicativos, alguns bem defasados, outros praticamente recém-nascidos.

SINCE… from Cyril Calgaro on Vimeo.

Legal é saber que, sei lá, dentro de 1 ano, a evolução já vai ter sido grande o suficiente para vermos um vídeo assim e pensarmos nas muitas novidades que já estão faltando.

Parceiro do Palavroeiro

5 fev

Esse breve post é pra divulgar a mais nova parceria do Palavroeiro: o site Coolture News

Lá, você vai encontrar Resenhas, Colunas, Notícias, Livros e Promoções.

Não deixe de conferir o “seu novo portal cultural”.

“Criança 44”

21 jan

Na Rússia do pós-guerra, um Stalinismo opressor dominava a população com mãos de ferro. A intenção do Estado era a de mostrar ao resto do Mundo que a república socialista estava livre de crimes e que a população vivia numa sociedade justa e pacífica.
Para conseguir alcançar tais objetivos, o governo contava com a ajuda da polícia da Segurança do Estado. Qualquer suspeita de que algum cidadão soviético estivesse fazendo propaganda ocidental, agitação anti-soviética ou que poderia ser espião internacional eram motivos para investigação, interrogatório e execução.
É nesse cenário que atua o agente Liev Demidov.
Liev é o típico policial/cidadão perfeitamente fiel ao Estado.  Nascido e criado na URSS, ele foi ensinado desde criança a amar o Estado e a ter plena convicção de que apenas o Estado o amava. Era do tipo que se dispunha a matar e morrer pelo governo.
Seu trabalho era investigar os prováveis inimigos soviéticos e levá-los para o temível interrogatório, onde, baseados em tortura física e psicológica, os presos políticos se viam obrigados a confessar crimes (muitas vezes não cometidos).
Tudo caminha “bem” na sociedade soviética, até que o assassinato de um menino surge como uma contestação àquele que se dizia o perfeito estado russo.  O fato mexe com a segurança do Estado, claro, e para evitar a revolta da população, um agente é enviado para investigar o caso e concluir que tudo não passou de uma fatalidade, um acidente qualquer.
O agente enviado é Liev. Ele, que até então também tinha total convicção de que tudo não havia passado de um acidente qualquer com uma criança, começa a mudar de idéia após uma sucessão de fatos estranhos em diferentes lugares da URSS:
Será que o Estado era mesmo tão justo e confiável?
O agente, então, resolve investigar a fundo os fatos por trás do caso misterioso.
Prestes a se tornar mais um inimigo político. Arriscando a sua vida e a das pessoas a quem amava em troca da Verdade.


Criança 44 é um livro que me surpreendeu muito. Terminei de ler ontem. Faltavam 134 páginas e eu simplesmente não conseguia parar de ler, sempre querendo saber o que ia acontecer quando eu virasse a página.
Me surpreendeu demais saber como era a União Soviética da década de 50: o socialismo; a desconfiança que imperava mesmo entre os conhecidos; o medo que as pessoas sentiam de serem presas injustamente; as crianças que, desde os primeiros anos escolares, já aprendiam a importância do Estado e do quanto elas deviam idolatrá-lo; as torturas físicas e psicológicas durantes os interrogatórios; as execuções e os trabalhos forçados…
É tão grande o leque de conhecimento num único livro que eu só consigo terminar esse post usando as palavras de Scott Turow, escritas logo na capa de “Criança 44”:

 
“Criança 44 é um romance de estréia formidável: original e fascinante da primeira à última página

 
P.S: O livro faz parte de uma trilogia. A segunda parte é chamada “O Discurso Secreto”.

%d blogueiros gostam disto: