Arquivo | abril, 2011

Lixo Extraordinário

30 abr

 Em todas as casas, lá está ele. Representando o histórico de consumo de cada família, o “lixo nosso de cada dia” já se tornou tão comum que nem percebemos, nem nos preocupamos com seu destino final: simplesmente o descartamos na lixeira e pronto.

O que pouquíssimos de nós sabemos é o quão importante esses dejetos são para milhares de pessoas que dependem deles para sobreviver.

No documentário “Lixo Extraordinário”, o artista plástico Vik Muniz conhece essa realidade bem de perto ao visitar um dos maiores aterros sanitários do Mundo, que fica no Jardim Gramacho, periferia do Rio de Janeiro.

A intenção era utilizar a imagem dos catadores em suas obras. O que Vik não esperava, entretanto, é que fosse se envolver tanto com a história de vida daquelas pessoas. Gente que, de longe, é vista pela sociedade apenas como uma grande “massa” de sofredores, sem particularidades. Mas que, de perto, se mostram grandes seres humanos, com características e personalidades próprias, dignos, alegres e sábios.

É, em outras palavras, uma oportunidade de proporcionar um instante de fuga e dar voz ativa a pessoas até então caladas, reprimidas. Uma verdadeira mudança de vida com o próprio material que faz a vida.

É o extraordinário do lixo.

Clique aqui para assistir ao Trailer Oficial.

Joaquim José da Silva Xavier: Tiradentes

21 abr

21 de Abril. Todo mundo aproveita o feriado, mas poucos sabem o porquê de ele existir.

Os que sabem que o motivo foi Tiradentes, não sabem ao certo quem foi esse homem.

Então, conheçam agora a história de um dos Heróis do nosso país: Joaquim José da Silva Xavier.

Em primeiro lugar, o apelido “Tiradentes” tinha motivo, afinal, além de tropeiro, comerciante, minerador e militar, Joaquim era dentista.

Ele foi um dos integrantes da Aristocracia Mineira. E, juntamente com intelectuais como poetas e advogados, formou o grupo dos Inconfidentes Mineiros.

O principal objetivo desses homens era libertar o Brasil da exploração Portuguesa, que na época impedia que tivéssemos uma constituição e que implantássemos indústrias, além, é claro, de cobrar impostos exorbitantes.

Tudo isso tornava ainda mais pobre a população e ainda mais revoltados os Inconfidentes.

Tiradentes, como um bom comunicador dotado de organização e liderança, tornou-se o Inconfidente mais notável, de maior influência.

Liderados por ele, o grupo saía às ruas dando Viva à República e conquistando o apoio de todos os moradores.

Porém, antes que a Revolução fosse concretizada, em 1789, o engajamento do grupo foi “freado” por Joaquim Silvério dos Reis e interrompido pelas tropas oficiais.

Tiradentes, no início negando sua participação, decidiu posteriormente assumir toda a responsabilidade do movimento, e, como era de se esperar, foi condenado.

Alguns dos Inconfidentes, diante de sua posição como intelectuais aristocratas, foram penalizados, mas de forma branda, como o açoite em praça pública.

Tiradentes, porém, sem influências políticas ou econômicas, foi condenado à forca, teve partes do seu corpo expostas na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais, e todos os seus bens foram confiscados ou queimados.

Joaquim José da Silva Xavier foi, portanto, um Verdadeiro Herói Brasileiro bastante digno dessa memória em seu nome: o feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes.

Piratas do Vale do Silício

17 abr

Você que nesse momento lê esse post, obviamente, está mais do que acostumado a usar os recursos de um computador. E, mais do que isso, a probabilidade de que haja um (ou mais que um), na sua casa, é realmente grande.

É quase possível apostar, inclusive, com absoluta certeza, que você já ouviu falar de Steve Jobs e Bill Gates.

Faz sentido, não é mesmo?

Você é um dos milhões de usuários do famoso PC (Personal Computer), o Computador Pessoal idealizado pelos dois gênios da informática citados acima.

Agora, uma pergunta: você conhece a gênese de todo o processo que, um dia, possibilitou que essa telinha na sua frente fosse um dia parar na sua casa?

É essa história que o filme “Piratas do Vale do Silício” vem contar. Nele, você vai conhecer os jovens Bill e Steve abandonando a Universidade em busca do nascimento das gigantes da informática um dia idealizadas por eles: Microsoft e Apple, respectivamente.

E pensar que um dia alguém questionou o porquê de pessoas comuns quererem computadores:

Hoje nós sabemos a resposta.


Assistam “Piratas do Vale do Silício”.

Até a próxima.

 

Ética ou Estética?

10 abr

A semana que passou ficou marcada pela tragédia ocorrida dentro de uma escola pública, no Rio de Janeiro, que culminou com a morte de 12 estudantes e do próprio assassino e suicida, Wellington Menezes.

O fato, sem precedentes na história do Brasil, impressionou todo o Mundo: diversos jornais e canais de TV estrangeiros deram destaque à notícia e tinha até correspondente Internacional enviado para fazer a cobertura do caso direto de Realengo.

Nessa obsessão pela exclusividade, foi possível ver diversos profissionais da imprensa agindo como animais famintos, “caçando” o melhor ângulo, a melhor imagem, a melhor entrevista. A Ética jornalística e humana se transformou em ganância e caiu para segundo plano.

A foto abaixo, tirada durante o enterro de uma das vítimas da tragédia, demonstra tal comportamento. Nela, é possível ver vários fotógrafos “empoleirados” em cima de túmulos, buscando pela imagem perfeita, aquela que demonstrasse de perto a dor dos amigos e familiares:

Uma atitude dessas acaba por excluir completamente o direito dessas pessoas à privacidade, o direito de poder sentir e desabafar sem dezenas de flashs ao redor, sufocando.

O que esses profissionais deveriam buscar, numa hora dessas, é uma forma solidária de enviar a informação ao público interessado, sem ultrapassar as fronteiras, os limites do sofrimento alheio.

A melhor atitude, o melhor ângulo, não é o da imagem sensacionalista que rapidamente será esquecida, mas sim o ângulo do respeito, da empatia, da dignidade. Pessoal ou Profissional.

Até a próxima.

Tendência “remediadora” Brasileira

4 abr

“É melhor prevenir do que remediar”. Esse talvez seja o ditado popular mais versátil, o mais usado em diversas circunstâncias.

Não importa qual seja a situação, é sempre mais viável e até mesmo seguro poupar um erro do que tentar consertá-lo depois. Fato.

Porém, essa definitivamente não tem sido a realidade do nosso país no que diz respeito a decisões importantes. Só nas últimas semanas, foram três os acontecimentos que demonstraram claramente tal afirmação:

O primeiro, de ordem política, precisou de um drama familiar para entrar em ação: O menino Sean Goldman, após a morte de sua mãe, foi levado pelo pai americano aos EUA em 2009 e, desde então, não teve mais contatos com os avós maternos brasileiros.

O avô de Sean, que lutava contra um câncer, acabou falecendo sem realizar o sonho de rever o neto.

Agora, diante de tal situação, foi aprovado um projeto de lei que altera o Código Civil e dá aos avós o direito de visitar os netos, em caso de divórcio dos pais.

Não menos dramático que o primeiro é o caso das irmãs Juliana, de 15 anos, e Josely, de 16. O principal suspeito de ter assassinado as meninas, Ananias dos Santos, de 27 anos, é foragido desde a páscoa de 2009, quando saiu temporariamente da prisão.

Ananias, acusado de roubo, formação de quadrilha, porte ilegal de armas e constrangimento ilegal, nunca mais voltou à cadeia e ainda cometeu essa atrocidade com as adolescentes. Com isso, a questão da saída temporária está sendo posta em xeque, demonstrando a dificuldade do Estado em administrar o sistema prisional brasileiro.

Gustavo Sonderman, piloto de 27 anos, foi outra vítima da falta de prevenção: ele estava correndo em Interlagos, na “curva do café”, quando bateu no muro e voltou pra pista, onde seu carro foi atingido. O impacto, junto com a brusca desaceleração, provocaram danos cerebrais irreversíveis e Gustavo teve confirmada ontem sua morte cerebral.

O problema é que o mesmo trajeto já havia causado outras duas tragédias: em 24 de fevereiro, João Lisboa, de 52 anos, morreu quando participava de um track day. João era fotógrafo especializado em motovelocidade e não resistiu aos ferimentos.

Há três anos e meio, Rafael Sperafico, estreante na competição, também bateu com o carro no muro e voltou para a pista, sendo atingido pelo carro de Renato Russo. O piloto morreu na hora.

E, depois de três mortes e algumas “quase-fatalidades”, é que está sendo questionada a criação de uma área de escape, que possa impedir que os carros voltem para a pista após baterem no muro. Esportistas do automobilismo e personalidades como Galvão Bueno já começaram a fazer seus apelos pela correção o mais rápido possível.

O mais preocupante nisso tudo é que não é preciso apelar para casos de repercussão nacional pra perceber a tendência “remediadora” desse país: Quantos casos você, que está lendo esse post, não conhece? Quantas histórias de pessoas que tiveram sua vida sacrificada em nome de mudanças que beneficiassem o coletivo?

O Brasil precisa aprender de uma vez por todas que alguns problemas não são remediáveis. É realmente melhor prevenir, ou o preço será o de uma vida.

Fontes: http://www.piauinet.com.br/esporte/galvao-bueno-pede-mudancas-em-interlagos-apos-tragedia-77299.html

http://grandepremio.ig.com.br/stockcar/2011/04/03/morte+de+sondermann+traz+novamente+a+tona+discussao+sobre+curva+do+cafe+10395750.html

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/morte-de-irmas-poe-em-xeque-saida-temporaria-de-presos 

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,avo-de-sean-comemora-aprovacao-de-projeto-sobre-visita,687310,0.htm

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