Tag Archives: Filme

Classificação indicativa pra quê, senhor Deputado?

11 out

Todo mundo que vai ao cinema, assiste TV ou compra jogos eletrônicos tá cansado de saber que pra todas essas mídias existe uma idade mínima recomendada. É a famosa “classificação indicativa”, que, na TV, é representada por aquele quadradinho colorido com um número dentro, no canto da imagem.

Profissionais formados em comunicação, pedagogia, antropologia, direito e cinema são os responsáveis por definir a partir de qual idade um determinado conteúdo pode ser visto sem maiores restrições; e os níveis de classificação, que são “Livre para todos os públicos”, 10, 12, 14, 16 e 18 anos tem algumas restrições também com relação ao horário de exibição: Programas com idade mínima recomendada de 14 anos, por exemplo, só podem ser exibidos após as 21h, assim como aqueles ideais para maiores de 18, que só podem aparecer na programação após as onze da noite.

Obs: No caso da TV a cabo, não há restrições porque, diferente da TV aberta, os pais têm a opção de bloquear os canais que não querem que seus filhos vejam.

Na tabela abaixo, é possível conferir os motivos pelos quais cada atração é ou não recomendada para uma determinada faixa etária: Continue lendo

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Fahrenheit 451: o filme que queima livros.

21 ago

Há algum tempo assisti Fahrenheit 451. Nem sei como cheguei a este filme, porque realmente não me lembro de ter tido alguma recomendação direta. Não por ele não ser bom, claro, porque é ótimo, mas talvez por ser de um estilo Cult, antigo (1966, mais precisamente) e não ter,digamos, um “marketing” tão sedutor que faça com que várias pessoas o conheçam. Enfim, eu devo ter chegado a ele por meio dessas listas do tipo “filmes que você deve ver”, talvez…

Bom, o que sei é que Fahrenheit 451 possui um senso crítico bastante apurado. Ambientado numa sociedade totalitária onde o Estado provoca total alienação em seu povo através do controle dos meios de comunicação, ele é um filme que queima livros. Sim, simples. Na maior parte do filme, vemos livros sendo queimados com espécies de “maçaricos” usados por bombeiros. Esses últimos, a propósito, não tem nada de heróis nesse filme, exceto um, que, claro, é o protagonista e, por se encontrar numa crise ideológica, passa a questionar esse comportamento medíocre, se rebela e resolve não só não queimar os nossos amigos, como também lê-los e ajudar outras pessoas a preservá-los. Continue lendo

A revolução dos bichos: uma fábula do poder

22 jun

Pra começar o post, meus singelos pedidos de desculpas pelo tempo ausente. Um dos motivos foi mesmo a falta de inspiração e de criatividade pra criar algo legal. Eu geralmente escrevo sobre as coisas que mexem mesmo comigo e isso não vinha acontecendo há algum tempo.

ImageNos últimos três dias, li um livro. Um dos clássicos da literatura universal, do tipo “livros que você deve ler antes de morrer”: A revolução dos bichos, de George Orwell.

É um livro relativamente pequeno, de 103 páginas, com um tipo de leitura que flui, desliza mesmo, como quando a gente lê um conto de fadas. A propósito, A revolução dos bichos é vista como uma fábula do poder que, inclusive, foi lida por crianças, filhos de muitos dos contemporâneos de George Orwell.

Com uma história de fácil entendimento, que faz analogias à ditadura de Stalin, pode-se dizer que é um enredo atemporal. Noções de proletariado, burguesia, direita e esquerda, abusos de poder e repressão são tratadas de forma didática, através de alusões a episódios ocorridos durante a Revolução Russa.

Como citado anteriormente, li A revolução dos bichos em três dias. Não apenas pela facilidade de leitura e pelo enredo interessante, mas pelo misto de sensações que esse livro pode causar. Continue lendo

Livros voadores no Oscar 2012

30 jan

O curta-metragem abaixo, “The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore”, é um dos indicados ao Oscar desse ano na categoria Filme de Animação.

Para os apaixonados por leitura, essa é a trajetória, repleta de fantasia, de um homem cujos livros têm vida e são seus mais fiéis companheiros…

Fiquemos, então, na torcida pela Estatueta.

Até a próxima.

Laranja Mecânica

8 jan

Um show de horrores, ou ainda, um “horrorshow” (expressão que, depois de assistir esse filme, se torna bastante familiar) que você não vai mais conseguir esquecer.

Laranja Mecânica é um clássico. Praticamente todas as pessoas apaixonadas por cinema que eu conheço já assistiram e gostaram muito. É um filme atemporal também, porque apesar de ter sido produzido em 1971, ele possui uns elementos super atuais, até meio pop, digamos.

Laranja Mecânica conta a história de Alex, um garoto rebelde, líder de uma gangue de amigos que anda à noite pelas ruas cometendo todo tipo de delinqüência: Eles estupram mulheres, batem em mendigos, assaltam residências, e por aí vai… Alex é, inclusive, do tipo que humilha como forma de manter seu “poder”, condição que o leva a ser traído pelos demais membros do grupo e… preso.

A partir desse momento é que o filme surpreende. Afinal, nada mais justo que ele seja mesmo preso depois de tanta crueldade, não é mesmo? Aliás, eu acho que depois de assistir a tantas cenas explícitas de violência o espectador deve sentir uma imensa vontade de que o cara vá para o inferno de uma vez.

Mas não é o que acontece. Na verdade, depois que Alex vai preso e fica um tempo na cadeia, surge a oportunidade de sair de lá através de um método revolucionário que prometia “curar” criminosos. Basicamente, o preso sairia da prisão para ir para uma espécie de clínica de reabilitação onde uma forte lavagem cerebral o levaria a não ser mais violento, ou melhor, não conseguir mais ser violento.

Vou explicar melhor: Quando Alex vai pra esse local e passa por procedimentos totalmente radicais, ele perde a capacidade de cometer as barbaridades de antes. O método se constitui basicamente na aplicação de um soro que provoca dores e náuseas enquanto o “paciente” assiste a cenas explícitas de violência num telão, tudo isso sem poder fechar os olhos. O cérebro, então, passa a fazer associações negativas toda vez que o sujeito se vê diante do “alvo”.

Aí, como eu havia dito anteriormente, apesar de que o normal fosse que nós, espectadores, sentíssemos raiva e encarássemos o sofrimento de Alex como justiça, não é o que acontece porque, na verdade, o que vemos é um jovem servindo de cobaia para um método totalmente desumano que só serve para beneficiar o Estado. Alex se torna uma vítima do Estado e de todos aqueles que antes eram suas vítimas. E as cenas que se desenrolam a partir disso são dignas de pena: muitas dores, náuseas, confusões mentais e uma tentativa de suicídio.

Não vou ficar entrando em maiores detalhes, mas, depois de assistir Laranja Mecânica, você certamente não vai mais encarar Beethoven e “Singing in the rain” do mesmo jeito.

Clique aqui para fazer o download do filme legendado em português.

Erin Brockovich – Uma mulher de talento

26 dez

De vez em quando, quando o sono não bate e existe uma TV à disposição, pode ser que um “corujão” qualquer seja uma boa pedida. Claro que as chances de se assistir a um bom filme são pequenas, a começar pela dublagem. A propósito, filmes dublados devem ser perfeitos mesmo só para aquelas pessoas com uma capacidade nata de ouvir e entender frases rápidas (capacidade que, por sinal, eu não tenho).

Críticas  à parte, foi num desses corujões que eu assisti a um bom filme: “Erin Brockovich – uma mulher de talento”, com a grande Julia Roberts.

Como eu não sou nenhuma crítica de cinema nem especialista em nada, não posso dizer com total propriedade que a atuação da Julia foi espetacular. Mas, como mera espectadora, eu digo que foi.

A personagem interpretada por Julia, Erin Brockovich, é a típica mãe-solteira dona-de-casa. Uma mulher aparente sem nenhum talento especial, divorciada de dois maridos, desempregada, e com três filhos pra criar.

O “azar” é tanto que ninguém espera que acontecimentos aparentemente tão ruins como um acidente de carro e uma causa perdida no tribunal fossem proporcionar à Erin a oportunidade de revelar todo o seu talento, no sentido literal da palavra. E quando digo no sentido literal é porque é raro ver nos filmes, pra começar, protagonistas mulheres, que dirá protagonistas mulheres que se revelam inteligentes e racionais, e não apenas sensuais ou movidas por emoção.

A propósito, enquanto eu assistia “Erin Brockovich – uma mulher de talento”, eu me lembrei de filmes como “Uma mente brilhante”, “O talentoso Ripley” e “Prenda-me se for capaz”, todos protagonizados por homens, claro.

Machismos à parte, esse filme revela lições estritamente ligadas à pré-conceitos, superação e como a mulher também pode exercer seu lado intelectual sem necessariamente agir como um homem e perder sua personalidade e seus outros papéis na sociedade. É o típico “act like a lady, think like a boss”.

Entre outras coisas, Erin Brockovich arranca boas risadas com seu jeitão todo grosseiro, seu estilo extravagante e suas tiradas totalmente sarcásticas e inteligentes.

E, como se não bastasse, o filme é baseado em uma história real.

Fica a dica. Para homens e mulheres.

Cores, samba e belezas naturais: O “Brazil” de Walt Disney

8 dez

Mickey, Minnie, Pato Donald… Zé Carioca. Foi através desse personagem que o Brasil foi representado nas histórias de Walt Disney.

No início, década de 40, a chamada “política de boa vizinha” que os EUA pregavam auxiliou no momento de caracterizar o papagaio Zé Carioca como um camarada simpático, com um gingado todo brasileiro inserido num cenário tipicamente tropical, civilizado e de gente receptiva. E é interessante lembrar que todas essas características do “Brazil” de Disney são bastante diferentes daquelas dadas a outros países que não os EUA (retratado nas histórias como “Patópolis”): As demais nações eram mostradas como inferiores e depreciadas através de habitantes vistos como “bárbaros”.

Em outras palavras, os EUA eram uma espécie de “melhor amigo” do Brasil e Walt Disney exprimia bem isso nas aventuras de seus personagens.

Tamanha amizade, entretanto, começou a decair no início da Ditadura Brasileira, quando nosso país passou a ser visto como “atrasado”, sem capacidade nem mesmo para eleger um Presidente da República. Seguindo esse mesmo raciocínio, o até então “bem apessoado” Zé Carioca passou a ser visto como o típico brasileiro preguiçoso, malandro, pobre e desonesto.

O tempo passou. O direito à democracia foi reconquistado e, se hoje essa caricatura do brasileiro, personificada pelo papagaio de Walt Disney, mudou, é difícil responder.

De qualquer forma, é bastante interessante ver o Brasil, e a música brasileira, retratados de forma tão colorida e bonita num filme de Walt Disney (mesmo que essa “poesia” toda tenha sido baseada numa “amizade” que andou passando por certos “altos e baixos”…)

Abaixo, você pode conferir o trecho “Aquarela do Brasil” do filme “Saludos Amigos”, de 1942:

Até a próxima.

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